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Ribamar Corrêa: João Alberto pode ter cometido erro primário ao aceitar Representação contra senadoras que protestaram no Senado

João Alberto: erro político ao
aceitar denúncia contra senadoras
Ribamar Corrêa
Repórter Tempo

Conhecido pelo seu senso de equilíbrio como presidente do Conselho de É tica do Senado, o senador João Alberto (PMDB) pode ter cometido um erro primário ao aceitar a Representação assinada por 14 senadores pedindo punição para as seis senadoras – Gleise Hoffman (PT-PR), Fátima Bezerra (PT-RN), Ângela Portela (PT-PI), Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Lídice da Mata (PSB) e Regina Sousa (PDT-RR) – por quebra de decoro parlamentar no protesto que fizeram no plenário da Casa contra a Reforma Trabalhista. 

Elas ocuparam a Mesa do Senado por mais de sete horas, impedindo que o presidente Eunício Oliveira (PMDB-CE) abrisse a sessão na qual seria votado o projeto que modifica profundamente as relações entre o capital e o trabalho no Brasil. Qualquer avaliação cuidadosa certamente concluirá que o protesto das senadoras foi um ato ligth, decente e realizado de maneira digna e civilizada, não causando danos materiais, e realizado sem palavras, gestos ou atitudes que ofendessem a dignidade dos senadores e da instituição que representam. As cinco senadoras podem até ter causado alguma inconveniência regimental, mas nada que se compare à truculência da presidência de desligar o som e em seguida a energia elétrica. O maior problema é que aquelas cinco senadoras, que representam milhões e milhões de eleitores, detêm um nível de competência política e parlamentar que facilmente abafa o dos 14 senadores que assinaram a Representação, entre eles a “sumidade” parlamentar e legislativa Romário.

Membro da elite do Senado, o presidente do Conselho de Ética chutou bola fora ao aceitar a reclamação dos “ofendidos”. Tanto que nada menos que 21 senadores protocolaram no Conselho de Ética um documento pedindo o puro e simples arquivamento da Representação dos “ofendidos”, por total falta de sentido.